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sexta-feira, setembro 10, 2010

A DOR DA AUSÊNCIA

                      QUANDO O PAI NÃO EXISTE
No Brasil, é grande o número de brasileiros que não convivem, nunca conheceram e nem mesmo levam o nome do pai. Como consequência, 30,6% das famílias são chefiadas por mulheres (a maioria mães solteiras). Os dados são do IBGE.
É tão comum que ninguém se surpreende mais. No Brasil, boa parte das pessoas pouco ou nada sabe sobre os pais biológicos. Alguns foram criados só pela mãe porque o pai desapareceu. Outros até conhecem e se lembram dos pais, mas passam anos sem vê-los ou só falam com eles em datas especiais, como aniversários. Há ainda os que sequer têm o sobrenome do pai no registro de nascimento. Só em São Paulo, de 5% a 7% das crianças em idade escolar têm só o nome da mãe no documento, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Educação. A socióloga Ana Liési Thurler analisou 180 mil certidões e constatou: em 30% das certidões de nascimento no Brasil, só consta o nome da mãe. O estudo mostrou ainda que as crianças registradas com “pai desconhecido” tendem a continuar nesta condição para sempre. Só um terço dos que resolvem procurar o pai e pressioná-lo, conseguem o reconhecimento. Ainda mais corriqueiros no Brasil são os casos de pais que até registram a criança, mas depois desaparecem. Lucimara de Sá Telles, de 13 anos, tem sobrenome do pai na certidão, mas nem se lembra da voz dele. Não recebe um telefonema há mais de 10 anos. Quando os pais se separaram, Lucimara tinha 3 anos e ficou com a mãe, Maria Camila de Sá. O pai foi para outro estado, que ela não sabe dizer qual. “Minha mãe é guerreira, mas se eu pudesse contar com meu pai seria muito melhor. Afinal, teria o dobro de amor”, avalia a menina. Para evitar constrangimentos, algumas escolas chamam o Dia dos Pais de “Dia do Amigo Especial”. É o caso do colégio Paulo Avelar, em São Paulo, onde quase 90% dos alunos não tinham em casa o modelo de família tradicional, com pai, mãe e filhos. E, na maioria dos lares, quem falta é o pai. Então, a homenagem vai para o tio, o padrasto ou o avô. Histórias como a de Lucimara são contadas no documentário “Nada sobre meu pai”, da cineasta Susanna Lira, também filha de pai desconhecido. “Pelos depoimentos que registrei, compreendi como o desconhecimento do pai causa feridas profundas. Encontrei crianças e adultos em frangalhos com essa ausência. Eles buscam o pai a vida inteira”, conta.

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